
Antes tarde do que nunca! A volta da Strawberry Crash aos palcos saciou os fãs… Por enquanto! O palco do Absynthe Pub’n’Bar foi pequeno demais para comportar o furor musical dessa banda. Com um repertório de fazer qualquer poseur (no bom sentido) se sentir no paraíso, os primeiros acordes de Look What The Cat Dragged In do Poison marcava o início do rolo compressor que estava por vir. A força motriz da banda consiste em Dani (vocal), Régis (guitarra), Top Gun (guitarra), Goró (baixo) e Nilo The Bruce (bateria), uma gurizada de vinte e poucos anos que desde já possui um fiel fã-clube e conquista a cada dia mais admiradores, inclusive da parte de gente que nem é tão chegada num hard rock glam, tamanha a verve rock’n’roll fodástica dessa bela banda. A prova é que It’s So Easy (Guns N’ Roses) pôs o público a cantar junto, assim como Lick It Up (KISS) e Jumpin’ Jack Flash (Rolling Stones). A ordem dos fatores não altera o produto, mas lembro-me de ter berrado junto o refrão de Fallen Angel (Poison), outra atuação impecável. Busted e Crash’n’Smile, composições de própria autoria, atropelaram quaisquer indícios de apatia do local. Foram recebidas à altura de grandes nomes do rock’n’roll, sem dever nada a clássicos como Paradise City (GN’R) que encerrou o set list. Destaques individuais: o baixista Goró numa performance matadora, lembrando em alguns momentos Juan Croucier do Ratt, tanto nos trejeitos como nos backing vocals; Dani, típico frontman, um rocker com carisma de sobra: rebolava como Axl Rose, porém, sempre com uma identidade própria, rasgando o gogó; Régis parece ser o filho perdido de Joe Perry, mandando ver solos muito bem estruturados (vide as canções próprias); Top Gun continua simbiótico à sua B. C. Rich, ou seja, mesmo em lugares tão apertados como este boteco, seu nome é palco; Nilo é o Tommy Lee da capital do feijão, esmurrando sem dó nem piedade sua batera onde quer que esteja.
Sorte que a banda a seguir era a SpOOky Kids, outra arrasa-quarteirão de Santa Cruz. Tida como a banda cover do satanista-de-araque Marilyn Manson, esses caras estão indo além (ou voltando do além!). Trocadilhos à parte, o histriônico vocalista Maiquel Moraes entra em cena com uma faca nas mãos, ou seja, naquela noite sua personalidade oscilante devia mais a Charles Manson do que à diva Marilyn Monroe. Em clássicos como Dope Show e mOBSCENE a banda esbanjava atitude no palco, combinando técnica musical e teatral. Os integrantes da SpOOky Kids fazem do “barulho” aquilo que Freud chamou de sublimação, ou seja, arte como sintoma do artista. Du Hast (Rammstein) reverbera no cubículo e o chão chega a tremer. E filho de peixe, peixinho é! O baixista com seu penteado à la Recruta Zero tocava seu instrumento sem foracluir o talento herdado de seu pai, enquanto a druidesa Carol jogava camadas de teclado sobre o caldeirão da banda. Paulinho (bateria) e Alexandre (guitarra) dão o peso necessário e indissociável a este espetáculo grand-guinol. Maiquel sofreu com a péssima qualidade do som do local, mas sem comprometer sua impecável performance. Deu um showzaço como de costume. Wicked Game (versão do HIM) e The Beautiful People (Marilyn Manson), já na saideira, foram a estaca no coração da noite, pois, para muitos, o show acabava ali. Pelo menos pra mim, que deitei o cabelo e fiquei devendo o testemunho das bandas The Jokers (Santa Maria) e The Devils (Porto Alegre). Quem permaneceu e quiser contribuir, manda um e-mail pra cá ou deixa um scrap na comuna da Metal Mojo. Outra observação em relação ao Absynthe Pub’n'Bar: não há privada no banheiro masculino! E se der vontade de fazer o “número dois”?
[por Diego Winger]